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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Comissão Europeia quer pôr os mais desfavorecidos a fazer turismo na Europa




A partir de 2013, o turismo social poderá ser uma realidade em toda a Europa. Este é pelo menos o objectivo do Programa Calypso, da Comissão Europeia, através do qual se pretende dar aos cidadãos de menores rendimentos, a possibilidade de viajar e fazer turismo. O Calypso inspira-se nos programas de turismo social desenvolvidos em Portugal pela Fundação Inatel, instituição com vasta experiência nesta área.

Para analisar as potencialidades deste segmento turístico e dar a conhecer alguns casos de sucesso nesta área, a Comissão Europeia realizou vários seminários. O último, antes da implementação do programa que conta já com a adesão de 21 Estados-membro, teve ontem lugar no Casino Estoril, contou com a co-organização do Inatel, e nele foram analisados os “Horizontes de Expansão do turismo social na Europa”.

Criar mais emprego no turismo, nomeadamente na época baixa uma vez que se trata de promover viagens entre Outubro e Maio e, por esta via, contribuir para a revitalização da economia dos países aderentes, é um dos objectivos visados pela Comissão Europeia através da implementação do Calypso. O presidente da Inatel, Vítor Ramalho, “pode ter uma importância enorme”, tudo dependendo “da resposta que os países, e a própria União Europeia derem”.

O programa, explicou-nos Vítor Ramalho, “surge para ser uma das possíveis respostas à crise assente na constatação de que há experiências, por parte da Inatel no plano interno, que têm tido um êxito significativo”.

O responsável referia-se aos programas que a Inatel desenvolve ao nível do turismo sénior, termalismo, abrir portas à diferença e turismo de terceira idade. Programas em que, disse, “há uma participação pública” mas que “é muito inferior aos gastos reais que os programas envolvem”. 

A lógica de funcionamento é simples, e o Calypso também aqui seguirá a experiência da Inatel, em que as pessoas que se enquadram em cada uma das vertentes candidatam-se aos programas (mesmo não sendo sócias da Inatel) que depois pagam de acordo com os seus rendimentos, mas dando preferência às pessoas mais desfavorecidas. Da mesma forma, os hotéis também se candidatam e, sublinha, Vítor Ramalho, estes programas “têm tido um êxito muito grande não apenas em termos sociais mas também económicos”, já que movimenta hotéis, restaurantes, autocarros….

Vítor Ramalho lembrou a propósito que, segundo um estudo da Universidade de Aveiro, o retorno para o Estado com este tipo de programas é bastante elevado já que “por cada euro que é aplicado, o Estado recebe três” ao mesmo tempo que “são salvaguardados, no mínimo, 1.000 postos de trabalho só no turismo sénior”.

Foi com base nesta experiência e no seu sucesso que a Comissão Europeia avançou com o programa Calypso que quer ver estendido aos 27 Estados-membro, frisa Vítor Ramalho, acrescentando que os públicos-alvo são não apenas as pessoas com mais de 65 anos mas também os jovens adultos desfavorecidos com idades entre os 18 e os 30 anos, famílias com dificuldades financeiras e pessoas portadoras de deficiências que de outra forma não teriam possibilidades económicas para viajar.

Pela experiência, Portugal coordena o programa referente aos mais idosos, no qual estão em parceria a Polónia e a Espanha, para além de participar também no programa dedicado aos portadores de deficiência.
Depois de todas as reuniões, trocas de experiências e seminários “a União Europeia estará em condições de em 2013 arrancar com o programa Calypso”.



Turismo de Portugal, 28/10/2011